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Intenções e Princípios

Nas últimas décadas tem-se assistido no nosso país a uma transformação dos ambientes em que as crianças vivem e se desenvolvem, e das próprias instituições educativas, de que se destaca a perda significativa do contacto das crianças com o espaço exterior e, em particular, com a Natureza. Tendência semelhante tem sido identificada noutros países. O direito e as oportunidades das crianças para o jogo livre, e para a aprendizagem com base em oportunidades de exploração e de resolução de problemas, tendem a ser constrangidos nas sociedades modernas, nomeadamente devido ao desenvolvimento de uma sociedade com dificuldades em lidar com o risco, ao distanciamento da Natureza, e às pressões no sentido da escolarização precoce.

Embora em Portugal haja poucos estudos que permitam conhecer com exatidão quanto tempo as crianças passam no exterior, nomeadamente em contacto com a Natureza, a análise da oferta educativa e das práticas predominantes permite afirmar que as crianças portuguesas passam a maior parte do seu dia em locais fechados e com atividades programadas (Figueiredo, 2015). Segundo Ludwig (2007), a atual geração apresenta os níveis mais elevados de falta de contacto com o meio exterior e com a Natureza, podendo as crianças de hoje representar a primeira geração em risco de ter uma vida produtiva mais curta do que a dos seus pais.

As pesquisas têm demostrado que as vivências em espaços exteriores, e em particular o contacto das crianças com a Natureza, podem contrariar os efeitos negativos dos atuais estilos de vida. As pesquisas nesta área (cf. Figueiredo, 2015) mostram que a atividade em ambientes exteriores naturais favorece o desenvolvimento de competências psicomotoras (resistência geral, execução de ações motoras básicas e de deslocação, controlo da postura e do equilíbrio dinâmico), competências cognitivas (capacidade de resolver problemas, memória, atenção e concentração, raciocínio e capacidade de observação, criatividade), competências socio-emocionais (autoestima, autorregulação e independência, aptidão para a cooperação), além de favorecer a saúde e o bem-estar (redução do stress e da fadiga), atenuar o défice de atenção, promover e a aquisição de hábitos saudáveis e sustentáveis que contribuem para o aumento da responsabilidade social e favorecem melhores tomadas de decisão ambiental na vida adulta (Erickson & Ernst, 2011; Ewert, Place & Sibthorp, 2005; Fjørtoft, 2001; Muñoz, 2009; Staempfli, 2008; Taylor, Kuo & Sullivan, 2001; Webster, 2011). Para além desses benefícios há ganhos de cariz académico associados a uma oferta educativa que, através do uso de uma pedagogia estruturada, promova o contacto direto e regular das crianças com a Natureza, nomeadamente em termos de literacia científica e atividade experimental. Têm sido igualmente identificados impactos positivos nos comportamentos das famílias, e nas práticas dos/as educadores/as e professores/as das instituições de origem das crianças, nomeadamente através de uma reorientação das suas práticas pedagógicas, e também de um maior investimento na organização e exploração dos espaços exteriores dessas instituições.

O Projeto Limites Invisíveis pretende obter resultados nos domínios educativo, do bem-estar físico e social, e da consciencialização ambiental de crianças até aos 10 anos.

O ambiente natural é encarado como uma fonte inesgotável de oportunidades que contribuem para aprendizagens desenvolvimentais e também de índole académica. Pela sua versatilidade, a exploração e o esforço de compreensão da Natureza são vistos como potenciadores de aprendizagens integradas e transdisciplinares, suscetíveis de facilitar a democratização da aprendizagem, potenciar formas diversificadas de sucesso, e atenuar desigualdades no acesso à aprendizagem e ao currículo.